
Desde que li o livro de Antonio Skármeta "O Carteiro e o Poeta" e vi o filme, conheci e me apaixonei pelo Neruda. A poesia envolvente, leve e simples de um observador ativo atrai até mesmo os mais leigos em literatura. Também tive a oportunidade de assistir essa pequena biografia do poeta cumprindo seu tempo de exílio, com o ator Marcos Winter no teatro do CCBB no Rio de Janeiro.
Ah, bons tempos em que saía do trabalho no centro da cidade e seguia para o Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB na Primeiro de Março para um momento meu, único, especial... momento solo.
Seguia para alimentar a minha mente, não mais com informações sobre o mercado financeiro, agora o prazer da arte, o lazer para alma. Há vida social pós trabalho, há beleza e poesia no centro comercial de uma capital, é só párar para observar. É assim que fazem os poetas, eles vivem o presente. Eles observam, eles páram para viver.
Eu queria aprender a fazer poesia... não a forma técnica, mas escrever de tal forma que as pessoas sentissem como eu... A primeira lição, e talvez a única, é parar para observar o que acontece à sua volta, notar as pessoas, dar atenção, perceber as coisas ao seu redor...
A poesia brota, ela nasce a partir do seu olhar para a vida. Acho mesmo que essa é a lição de viver, só se vive no presente, o passado já foi e o futuro ainda não existe, só temos o agora e quiçá o hoje inteiro.
Faz tempo que não vou ao teatro para assistir uma boa peça... sinto falta, bem estou tentando corrigir isso aos poucos e recentemente fui ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro para um concerto de piano com a OSB. Foi majestoso, um revival pra mim.
Essa foto publicada é o registro desse momento, uma forma de eternizá-lo e ouvir o som dele na minha memória cada vez que olho para ela.
Quando se vive o momento com intensidade a fotografia tirada revela muito mais que uma imagem para quem viveu. Ela exala o cheiro e emite o som daquele momento, é uma forma de prolongar a sensação vivida toda vez que olhamos para ela.
Bem comecei falando do poeta Neruda - ele deve ser lido, não há mais o que falar. Fiz algumas considerações que são meus devaneios quando um assunto me leva a outro... e deixo-me levar por esse caminho... bem, então, fecho com um poema dele, o Neruda:
"Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida..."
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida..."
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