sábado, 18 de fevereiro de 2012

Eu e minha imaginação...


Desde que li o livro de Antonio Skármeta "O Carteiro e o Poeta" e vi o filme, conheci e me apaixonei pelo Neruda. A poesia envolvente, leve e simples de um observador ativo atrai até mesmo os mais leigos em literatura. Também tive a oportunidade de assistir essa pequena biografia do poeta cumprindo seu tempo de exílio, com o ator Marcos Winter no teatro do CCBB no Rio de Janeiro.
Ah, bons tempos em que saía do trabalho no centro da cidade e seguia para o Centro Cultural Banco do Brasil - CCBB na Primeiro de Março para um momento meu, único, especial... momento solo.
Seguia para alimentar a minha mente, não mais com informações sobre o mercado financeiro, agora o prazer da arte, o lazer para alma. Há vida social pós trabalho, há beleza e poesia no centro comercial de uma capital, é só párar para observar. É assim que fazem os poetas, eles vivem o presente. Eles observam, eles páram para viver.
Eu queria aprender a fazer poesia... não a forma técnica, mas escrever de tal forma que as pessoas sentissem como eu... A primeira lição, e talvez a única, é parar para observar o que acontece à sua volta, notar as pessoas, dar atenção, perceber as coisas ao seu redor...
A poesia brota, ela nasce a partir do seu olhar para a vida. Acho mesmo que essa é a lição de viver, só se vive no presente, o passado já foi e o futuro ainda não existe, só temos o agora e quiçá o hoje inteiro.

Faz tempo que não vou ao teatro para assistir uma boa peça... sinto falta, bem estou tentando corrigir isso aos poucos e recentemente fui ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro para um concerto de piano com a OSB. Foi majestoso, um revival pra mim.
Essa foto publicada é o registro desse momento, uma forma de eternizá-lo e ouvir o som dele na minha memória cada vez que olho para ela.

Quando se vive o momento com intensidade a fotografia tirada revela muito mais que uma imagem para quem viveu. Ela exala o cheiro e emite o som daquele momento, é uma forma de prolongar a sensação vivida toda vez que olhamos para ela.

Bem comecei falando do poeta Neruda - ele deve ser lido, não há mais o que falar. Fiz algumas considerações que são meus devaneios quando um assunto me leva a outro... e deixo-me levar por esse caminho... bem, então, fecho com um poema dele, o Neruda:

"Saudade é amar um passado que ainda não passou,
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida..."

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Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir
Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.

Rubem Alves

Rubem Alves
"Todo jardim começa com uma história de amor. Antes que qualquer árvore seja plantada ou um lago construído, é preciso que eles tenham nascido dentro da alma. Quem não planta jardins por dentro, não planta jardim por fora."

Mario Benedetti

Mario Benedetti
"Mas existe verdadeiramente outro rumo? Na verdade, só existe a direção que tomamos. O que poderia ter sido já não conta."

LUA ADVERSA

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!

Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...

E, quando chega esse dia, o outro desapareceu...

Cecília Meirelles

Adélia Prado

Adélia Prado
"O que a memória ama fica eterno. Te amo com a memória imperecível."

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.

"Renda-se, como eu me rendi. Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei.
Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento." Clarice Lispector

Pablo Neruda

Quero apenas cinco coisas..
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos.
Não quero ser... sem que me olhes.
Abro mão da primavera para que continues me olhando.